quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O Beijo

De repente, turvou-se o olhar e tombou-se o corpo, que se não se apoiasse em outro corpo, certamente cairia lenta e delirantemente e só voltaria a si com o baque, mas ainda sim com um sorriso evidente na face, que de tão encarnada numa nova personalidade, demonstrava a confluência do prazer do esquecimento do cotidiano e dos delírios do não pensar. Essa sensação sonolenta, quente, prazerosa, sensual, foi tão rápida, mas tão elétrica que fez todo seu corpo formigar. Nunca se sentira assim, tão transcendente, e ainda: por um simples beijo...

Pintura: "O Beijo"
Gustav Klimt

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Felicidade


Felicidade

Tudo que buscamos na vida é o equilíbrio, e é dele que esperamos extrair a felicidade. Com tanta procura, esquecemo-nos da certeza humana que nos rege: o equilíbrio é apenas a ponte, ainda temos um longo caminho pela frente e não podemos esperar encontrá-lo só com a estabilidade de nossas vidas. É preciso que haja comedimento, mas audácia nas boas horas. A boa vida é a vida equilibrada, nada de mais nem nada de menos. As pessoas geralmente carregam a tendência de se auto-destruir por pequenos momentos de felicidade intensa - felicidade mal distribuída - e o que sobra é a tristeza, que diferentemente da felicidade, se aloja como um parasita e só vai embora com muito, muito trabalho; um jeito exaustivo de se viver... Tem gente que fala que felicidade não existe, o que existe são momentos felizes. Particularmente acho o ditado um tantinho equivocado. Tá certo, têm aqueles momentos com a namorada, uma flor repentina, uma borboleta na orelha, um sujado de tinta, um soco de esquerda, um beijinho no nariz, um bichano pelo chão, aquelas baratas voadoras, o desabrochar de um sorriso (do teu sorriso, que tanto me abala); são momentos felizes? São, mas são também a felicidade plena, pois vão ficar gravados na nossa memória para sempre, e qualquer coisa que nos cause uma boa lembrança, ou uma oportunidade de repeti-la, é indício de alegria; ah! Nunca saberemos o quão realmente difícil é apagar um bom momento, mais do que os maus; bons momentos se perpetuam; tudo o que fica de bom de uma vida, tudo o que se pode lembrar e servir de alívio para as dificuldades futuras, todas as nossas vivências, os nossos amores, as nossas carências, os nossos gritos, sussurros, beijos, mordidas. Independente do que nos aguarda, viver é reviver, e aquele sorriso que você um dia se lembrará ter dado na infância, muitas vezes se repetirá, mesmo que inconscientemente, nos seus outros sorrisos...

Pintura: "Girassóis" Van Gogh

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Equilíbrio



Haverá o dia em que minhas pernas ficarão grandes demais em relação ao meu corpo; espero conseguir manter o contato entre os dedos das mãos e dos pés quando isso acontecer.